30/06/2012

"Patch" Adams, o amor é contagioso



Aconchego e descanso

               "Nem sempre a resposta aparente é a resposta correta; atreva-se a pensar por si mesmo, sem laços."
               Esta não é uma fala do personagem dr "Patch" Adams, muito menos do verdadeiro dr "Patch" Adams. É a fala de um personagem secundario, mas não menos importante. Mas não importa.
               Quando um problema te encontrar, atreva-se a ir além dele, a olhar através dele e a resposta virá.
               Por algum motivo me peguei pensando neste filme que vi há muito tempo e na entrevista que o dr Adams deu à tv Cultura.
               Eu comecei a escrever um email para alguns queridos, mas achei melhor fazer um post.
               Hoje "Patch" Adams falou ao meu coração.
               Eu já tinha visto a evtrevista na Tv Cultura, mas hoje, ao ver um video de uma parte do filme que me encantou muito acabei encontrando um post de alguém que transcreveu parte do que o dr Adams falou. As lições são particulares e têm um tempo para acontecer.
               O que serve para mim hoje, de maneira muito especial, amanhã pode ter um impacto menor e ontem não teria tanto impacto.
               Por isso não estou transmitindo as lições que aprendi, apenas estou repassando a entrevista e pedindo à Deus por este homem incrível e por tantos iguais à ele, que lutam no anonimato, da forma que podem e que conhecem, para fazer deste, um mundo melhor e com amor.
               Tive grandes lições e quando percebi meus erros recentes (ontem) e os corrigi, Deus me deu vitorias (um dia conto, com certeza).
               As lições do dr Adams são inúmeras, creio mesmo que são milhares. Por isso, o mais correto seria aprender o mecanismo de "detecção e correção de problemas" ao invés de enfatizar cada lição em particular.

               Destaco este video, que vi no Youtube, e a transcrição da entrevista, que li no blog Cine Historia.



                Dr. Adams:
                "No início, fiquei constrangido com o filme. Sou ativista político, trabalho pela paz e pela justiça. Considero fascista o meu governo.
                Se não mudarmos de uma sociedade que venera dinheiro e poder para uma que venere compaixão e generosidade, não haverá esperança para a sobrevivência do ser humano neste século.     
                Precisamos deter um sistema que, pela TV, estimula a concentração do dinheiro na mão de poucos. Então…
                Hollywood queria vender ingressos. Duas coisas vendem ingresso: violência e humor.
                Desse modo, preferiram enfatizar o meu esforço em abrir o único "hospital maluco" da história. Ignoraram o fato - falo de um país que se recusa a cuidar de 50 milhões de pessoas porque são pobres - de que luto pela medicina gratuita. Se me permitem – estou aqui na berlinda – posso corrigir algumas coisas do que foi lido?"
               · Patch então continuou:
                "Não concordo com “rir é o melhor remédio”. Eu nunca disse isso. A amizade claramente é o melhor remédio. É a coisa mais importante na vida. São nossas relações com aqueles que amamos.
                Infelizmente, os meios de comunicação, sendo como são, muito antes de me conhecer, imaginam que rir seja o melhor remédio. Então, quando escrevem o artigo, põem essa frase porque o fazem, na realidade, sem pensar.
                Também quero corrigir a idéia de que rir seja uma terapia. Também nunca penso em música como terapia, nem em arte, nem em dança. Nunca precisam da palavra “terapia”, que é pequena para ajudar. A arte não precisa de ajuda da palavra “terapia”. É a cultura humana. Não fazemos terapia de cultura. Se estamos saudáveis, fazemos cultura. Para mim, humor é contexto. No nosso hospital, exigimos que o pessoal seja alegre, gozado, carinhoso, cooperativo, criativo e atencioso. É um modo para uma comunidade humana saudável integrar-se, para não haver violência, para um cuidar do outro.
                Portanto, nunca penso… também nunca penso na diferença entre levar humor para uma criança moribunda e ser cordial com um homem de negócios no elevador. Para mim, são experiências iguais. O filme dá a impressão de que estou prestes a entrar no quarto de uma criança enferma e fazer palhaçada.
                 É um filme bom e bonitinho, mas não faz o Brasil querer alimentar todos os cidadãos famintos e parar de matar o rio Amazonas. E eu quero proteger o Amazonas e acabar com a violência contra as mulheres no mundo inteiro. E o filme podia ter integrado isso tudo.
                 Consegui ficar mais tranquilo com o filme porque o mundo está tão faminto - até da versão condensada, mais simples de qualquer coisa ligada ao amor, porque o amor não está na TV, nem em nenhum lugar, não é ensinado nas escolas - que qualquer versão, até mesmo a versão hollywoodiana mais simples, o mundo aceita. Está faminto por si. Eu assisti. Era um filme internacional de muito sucesso. Estão famintos. 
                Podia ter sido um filme muito mais inteligente. No mesmo ano em que Patch Adams foi lançado, Benigni lançou a Vida é Bela. É uma versão bem mais inteligente, com uma mensagem parecida. Sei que isso não é exatamente o que vocês queriam, mas como estou na berlinda, esta situação permite que a conversa tome rumos que as pessoas podem não ter pensado que pudesse tomar.
                Antes do filme, quando tentei levar palhaços à guerra da Bósnia, a ONU [Organização das Nações Unidas] levou sete meses para me dar a permissão. Disseram: “Como pode querer levar palhaços para a guerra? Isso não é engraçado!”. Depois do filme, para a guerra em Kosovo, só levou quatro dias. E por causa do filme, grupos de palhaços do mundo todo visitam hospitais. Ajudou-os muitíssimo. Pessoas de mais de três mil projetos do mundo todo disseram: “Vi o filme trinta vezes, adorei! É o meu filme favorito. Abri esta clínica, esta escola, isto…” Mecânicos escrevem para mim: “Vi o seu filme, agora faço um trabalho honesto.” E assim, agora, sinto mais respeito pelas consequências, não pela inteligência do filme."

                · Sobre a Veracidade de alguns fatos apresentados na película:
                "Sou um intelectual. Existem grandes filmes na história, este não é um deles. Este é um filme comercial de Hollywood. Quanto à veracidade do filme, na verdade, quem foi assassinado foi o meu melhor amigo. É humilhante para a família dele, mas eu o conheço. Ficaria feliz por ser interpretado por uma bela mulher [risos]. Iria convidá-la para sair [risos]. Lembra-se da cena da convenção de ginecologistas, das pernonas em cima da porta? [cena em que Adams é convocado a ajudar nos preparativos de um seminário de ginecologistas, os quais são recebidos, por obra de Adams, por uma grande armação em formato de duas pernas gigantes abertas, que convergem para a porta do auditório principal] Eu não faria aquilo, fui muito bem em anatomia feminina [risos]. O verdadeiro filme do banho de macarrão se viram a minha versão é muito mais engraçada e mais interessante [uma paciente terminal diz a Adams, ao ser questionada por ele, que tinha um sonho infantil de nadar em uma piscina de macarronada, desejo que é atendido por Adams]. Tudo no filme foi atenuado. Muita gente pensa, porque Hollywood é uma exageração.
               Na verdade, é uma atenuação. Fico muito triste porque o meu nome está em filme em que não há paz e justiça. Vocês viram, nesta entrevista, fiz com que fosse a primeira coisa sobre o que falar."

              · E por fim, Patch, ainda sobre as consequências e os possíveis impactos da película, respondeu a seguinte pergunta do entrevistador: Ricardo Westin:
              "Mr. Adams, você citou [que é] um filme de Hollywood, é um filme que não se cita a paz, a justiça, mas tem um lado positivo de ter incentivado pessoas no mundo inteiro a seguir seu exemplo, a palhaços entrarem em hospitais... Mas, no seu caso específico, esse filme ajudou a sua entidade a receber mais doações, a se construírem novos hospitais que estão sob sua responsabilidade?"

               Patch Adams:
               "Fiz o filme porque não consegui arrecadar dinheiro durante 28 anos para erguer o que seria o único hospital-modelo do mundo para os problemas de que ouço falar por médicos do mundo todo. Por ser um hospital tão radical, ninguém quis me ajudar. A Universal Studios prometeu erguer nosso hospital. O filme rendeu mais de quatrocentos milhões de dólares. Ninguém ligado ao filme veio me dar nem um dólar [pausa]. Ele me ajudou a ganhar mais pelas minhas apresentações. Antes do filme, eu recebia 300 mil dólares por ano. Depois do filme, um milhão de dólares por ano. Não guardo dinheiro. Escolhi não possuir nada. Dou todo o dinheiro para podermos fazer mais. Também nos permitiu começar a erguer clínicas e escolas pelo mundo e a expandir a nossa atividade, mas não nos trouxe dinheiro para erguer o nosso hospital."
               Aqui termina a transcrição da entrevista do dr. Adams.


                 Como eu disse no começo, "Patch" Adams, o filme, e "Patch" Adams, o homem, nos trasnmitem grandes lições, mas são lições particulares, múltiplas e intensas.
                 Por isso não vou colocar nenhuma conclusão aqui a não ser um caminho: procure enxergar além do problema, além do que está visível, e a solução aparecerá.


Aconchego e descanso

               Quem quiser ler o post de Rafael Costa Prata, de onde tirei a transcrição da entrevista do dr. Adams, é só acessar Crie Historia.

                                         Gisele Fiaux

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2 comentários:

  1. Oi, Gisa. Que curioso, pensei em você ontem, algo como "faz tempo que não vejo postagens no Aconchego e Descanso"...voltou com tudo. Admito que não assisti esse filme, embora conheça um pouco da história. Aqui você me apresentou um texto lindo, uma visão maravilhosa da vida que precisamos reaprender a cada instante. E fiquei espantada com a quantidade de conquistas após a divulgação do filme. Muitas vezes as ideias para tornar o mundo melhor são excelentes, faltam pessoas dispostas a abraçá-las. Um abraço, ótimo domingo!

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    1. Oi, Bia querida. A vida da gente é uma montanha russa e ultimamente a minha "montanha" anda bem agitada, com muitos loopings e quedas vertiginosas. Mas, realmente senti que devia escrever este texto.
      E "Patch" Adams é um exemplo maravilhoso que deve ser divulgado. Quero ler o livro, deve ser maravilhoso.
      De uma depressão profunda, passando por uma tentativa de suicídio e uma internação voluntaria, este homem tem semeado a generosidade, a amizade e o amor pelo mundo, apesar de tudo, inclusive da exploração holywoodiana.
      Vê como ele é generoso: mesmo o filme sendo diferente da realidade vivida por ele e do fato das pessoas não terem entendido exatamente o que ele quis passar, ele tem apoiado e apreciado os frutos que surgiram a partir do relato do filme. Surgiram projetos diferentes, mas tão maravilhosos, quanto o original.
      Um grande abraço e uma semana maravilhosa para você.

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