20/11/2010

PL 122 x Cristianismo

          

        Recebi um manifesto de apoio à Universidade Mackenzie, no epsodio que envolve a PL 122, com um pedido de divulgação. Sou contra à PL, pelo menos da forma como ela esta escrita, assim como sou contra toda e qualquer lei que restrinja os direitos de qualquer grupo à livre expressão de seus pensamentos.
         Notem bem: sou contra a restrição à liberdade de expressão dos pensamentos e nunca, em momento algum, defenderei o direito à violencia, venha ela em que embalagem for. Não gosto nem mesmo da violencia escrita, mesmo que esta violencia escrita encerre, supostamente, ensinamentos para o bem-viver. Para mim, violencia e beleza são antagônicas, portanto excludentes.
          
         E antes de transcrever o manifesto em apoio à Mackenzie quero fazer algumas colocações. 
         Sou batista de primeira hora. Isso significa que minha familia recebeu e aceitou o evangelho assim que os batistas chegaram ao Brasil, tanto o lado paterno, quanto o materno. E pela pregação do mesmo missionario, curiosamente o lado materno no Recife e o paterno em São Fidelis- RJ. Esse missionario viajou muito...
         Por isso, posso falar com segurança da herança que nós recebemos e do quanto nos distanciamos daquilo que é realmente importante: Deus abomina o pecado, mas ama incondicionalmente o pecador. Jesus morreu por cada pecador independentemente do grau de envolvimento deste mesmo pecador com o seu pecado. Isso não significa que não haverá consequencia para o pecado, mas significa que nós, que conhecemos a verdade, devemos aprender, com Jesus, a divulgar esta verdade. Em amor, com amor!
        Discursos contra o pecado, sem manifestação de amor sincero pelo pecador não vai fazer diferença alguma. Ninguém gosta de ter o seu livre-arbitrio questionado e os homossexuais têm também o direito ao livre-arbitrio, à livre escolha de como querem viver. Assim como nós evangélicos também temos o direito ao nosso livre-arbitrio, à livre manifestação da nossa crença, da nossa fé e dos principios morais que norteiam a nossa vida.
       Não conheço a dor de ser homossexual, não conheço a dor de ser perseguida por assumir uma opção sexual diferente dos padrões bíblicos, mas conheço, e muito bem, a dor de ser perseguida por manifestar a minha fé, por ousar crer e viver de uma maneira diferente da maioria que, apesar de dizer que "o justo viverá pela fé", ainda acha que a fé tem que ter comprovação científica, ou seja, se a tua fé não pode ser pesada, medida ou mensurada segundo os padrões pré-estabelecidos por séculos de prática religiosa, ou se não apresenta frutos visiveis para a maioria, ela é falsa e merece ser desacreditada, ridicularizada e difamada. Aquilo que o homem não conhece, ele procura destruir. Parece que na dúvida se algo é nocivo ou não é melhor destruir, antes que faça algum estrago ou fuja do controle. 


         Não quero que nenhum tipo de lei que cerceie as liberdades conquistadas por todos nós, cidadãos brasileiros, seja aprovada. Não quero que o meu direito de me manifestar pacificamente sobre qualquer assunto, seja na igreja, seja na escola-faculdade, seja em meu blog, seja cassado.
        Mas, também não gostaria mais de ver tanta intolerancia de ambas as partes. A Verdade é imutável, poderosa e eterna. Um dia esta Verdade vai se manifestar e ela propria vai colocar todos os pingos nos iiis. Sem stress e sem discussão.
        Precisamos aprender a olhar além e através daquilo que vemos como um problema. Irmãos cristãos, sejam evangélicos, sejam católicos, aprendam a olhar além e através da homossexualidade. Além daquilo que está aparente existe um coração que sofre, que ri, que chora, que ama e que merece a nossa compaixão. as mudanças começam no interior, mas se o exterior faz com que eles sejam repelidos, como então pretendemos atingir seus corações?
        E amigos homosseuxais ou não, representantes de outros credos, pessoas que, de uma forma ou de outra, se sentem perseguidos pelos religiosos chamados cristãos, aprendam também a olhar além e através das nossas deficiencias no trato com as diferenças. Muitos de nós são de duro trato mesmo, mas isso é uma herança que recebemos ao longo dos séculos. O excesso de zelo faz com que muitos de nós cometamos erros, que muitas vezes machucam e trazem o efeito contrario ao que desejamos. Mas, muito de nós estamos cheios de cuidados e boas intenções. Queremos repartir aquilo que consideramos o melhor para cada ser humano. Pena que nos esquecemos que não devemos impor nada.
        Mas, acho que ja passou a hora de todos nós refletirmos sobre as nossas proprias atitudes e mudarmos o nosso comportamento. 
        Minha madrasta uma vez me passou um ensinamento que ela mesma recebeu de seu pai: "Tijolo duro e cimento duro não fazem um bom muro".
        Se quisermos construir um Brasil melhor precisamos aprender a hora de agir como o tijolo e a hora de agir como a argamassa de cimento. E mais ainda, precisamos aprender a "assentar" as diferenças.
        Precisamos, urgentemente, aprender a enxergar além e através das diferenças. Precisamos enxergar o coração do nosso próximo, não importando a roupagem que reveste este coração.
        Pessoalmente eu creio firmemente, que relacionamento com Deus é algo pessoal, intransferível e absolutamente particular. Também acredito na vida eterna após a morte. Ninguém nunca voltou da morte para dizer se existe mesmo vida além e vida eterna. Mas, você vai arriscar? Se eu estou errada e a morte é o fim de tudo, então eu estou no lucro, porque eu sou feliz abraçando a fé que abracei, e quando o "fim" chegar não terei perdido nada. Mas e se eu estiver certa e houver um Deus criador, se houver uma vida eterna e as escolhas que eu fizer nesta vida tiverem influencia direta na vida que eu vou levar por toda a eternidade, será que não vale a pena eu investigar melhor esta historia para não chorar depois?
        Vou dizer o que , pessoalmente, fiz. Quando a religião passou a me incomodar, quando as contradições entre o que era pregado e o que era vivido se tornaram sufocantes para mim, eu me tranquei no meu quarto e passei a incomodar a Deus. Busquei respostas que verdadeiramente me satisfizessem. Paguei e ainda estou pagando um preço altíssimo por isso. A primeira reação de todas as pessoas à minha volta foi dizer que magoas estavam me levando a agir da forma que estou agindo, a segunda reação foi me chamar de egoista, a terceira de acharem que sou louca e até me levar ao psiquiatra ja quiseram . Você ja deve ter visto este filme. Mas, quer saber (e mesmo que não queira eu vou dizer), a menos que eu seja uma terrorista suicida, quando eu morrer eu não vou levar ninguém comigo. E quando eu estiver diante de Deus, sou eu e apenas eu quem vai dar conta dos meus atos, recebendo d'Ele a resposta às minhas escolhas. Vai ser olho-no-olho. Apenas Ele e eu. 
         Então se eu acertar ou errar, será por minhas proprias pernas. Vou examinar tudo e levar tudo à Ele para que Ele mesmo me confirme se as minhas conclusões estão certas ou erradas. Jamais vou deixar de ouvir a experiencia dos religiosos, mas antes de assimilá-las vou buscar confirmação naquele que realmente fará diferença na minha vida. E é isso que eu sugiro à você, creia você em Deus ou não. O que é que você tem a perder? Você esta sózinho em teu quarto mesmo... Se Ele não te responder, quem é que vai saber que você pagou mico?
        Viveremos algo em torno de 100 anos nesta Terra, e dizem que a eternidade é ... ETERNA.
        Vale a pena arriscar? Teu quarto, porta trancada, só você e quem sabe, Ele...

                                       Gisele Fiaux


        Agora o manifesto:


         UNIVERSIDADE MACKENZIE: EM DEFESA DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO RELIGIOSA
 
       A Universidade Presbiteriana Mackenzie vem recebendo ataques e críticas por um texto alegadamente “homofóbico” veiculado em seu site desde 2007. Nós, de várias denominações cristãs, vimos prestar
 solidariedade à instituição. Nós nos levantamos contra o uso  indiscriminado do termo “homofobia”, que pretende aplicar-se tanto a assassinos, agressores e discriminadores de homossexuais quanto a líderes religiosos cristãos que, à luz da Escritura Sagrada, consideram a homossexualidade um pecado. Ora, nossa liberdade de consciência e de expressão não nos pode ser negada, nem confundida com violência.     Consideramos que mencionar pecados para chamar os homens a um arrependimento voluntário é parte integrante do anúncio do Evangelho de Jesus Cristo. Nenhum discurso de ódio pode se calcar na
 pregação do amor e da graça de Deus.
         Como cristãos, temos o mandato bíblico de oferecer o Evangelho da salvação a todas as pessoas. Jesus Cristo morreu para salvar e reconciliar o ser humano com Deus. Cremos, de acordo com as Escrituras, que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23). Somos pecadores, todos nós. Não existe uma divisão entre “pecadores” e “não-pecadores”. A Bíblia apresenta longas listas de pecado e informa que sem o perdão de Deus o homem está perdido e condenado. Sabemos que são pecado: “prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas, rivalidades, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias” (Gálatas 5.19). Em sua interpretação tradicional e histórica, as Escrituras judaico-cristãs tratam da conduta homossexual como um pecado, como demonstram os textos de Levítico 18.22, 1Coríntios 6.9-10, Romanos 1.18-32, entre outros. Se queremos o arrependimento e a conversão do perdido, precisamos nomear também esse pecado. Não desejamos mudança de comportamento por força de lei, mas sim, a conversão do coração. E a conversão do coração não passa por pressão externa, mas pela ação graciosa e persuasiva do Espírito Santo de Deus, que, como ensinou o Senhor Jesus Cristo, convence “do pecado, da justiça e do juízo” (João 16.8).
         Queremos assim nos certificar de que a eventual aprovação de leis chamadas anti-homofobia não nos impedirá de estender esse convite livremente a todos, um convite que também pode ser recusado. Não somos a favor de nenhum tipo de lei que proíba a conduta homossexual; da mesma forma, somos contrários a qualquer lei que atente contra um princípio caro à sociedade brasileira: a liberdade de consciência. A Constituição Federal (artigo 5º) assegura que “todos são iguais perante a lei”, “estipula ser inviolável a liberdade de consciência e de crença” e “estipula que ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política”. Também nos opomos a qualquer força exterior – intimidação, ameaças, agressões verbais e físicas – que vise à mudança de mentalidades. Não aceitamos que a criminalização da opinião seja um instrumento válido para transformações sociais, pois, além de inconstitucional, fomenta uma indesejável onda de autoritarismo, ferindo as bases da democracia. Assim como não buscamos reprimir a conduta homossexual por esses meios coercivos, não queremos que os mesmos meios sejam utilizados para que deixemos de pregar o que cremos. Queremos manter nossa liberdade de anunciar o arrependimento e o perdão de Deus publicamente. Queremos sustentar nosso direito de abrir instituições de ensino confessionais, que reflitam a cosmovisão cristã. Queremos garantir que a comunidade religiosa possa exprimir-se sobre todos os assuntos importantes para a sociedade.
         Manifestamos, portanto, nosso total apoio ao pronunciamento da Igreja Presbiteriana do Brasil publicado no ano de 2007 [LINK
 http://www.ipb.org.br/noticias/noticia_inteligente.php3?id=808] e reproduzido parcialmente, também em 2007, no site da Universidade Presbiteriana Mackenzie, por seu chanceler, Reverendo Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes. Se ativistas homossexuais pretende criminalizar a postura da Universidade Presbiteriana Mackenzie, devem se preparar para confrontar igualmente a Igreja Presbiteriana do Brasil, as igrejas evangélicas de todo o país, a Igreja Católica Apostólica Romana, a Congregação Judaica do Brasil e, em última instância, censurar as próprias Escrituras judaico-cristãs. Indivíduos, grupos religiosos e instituições têm o direito garantido por lei de expressar sua confessionalidade e sua consciência sujeitas à Palavra de Deus. Postamo-nos firmemente para que essa liberdade não nos seja tirada.
 

 Este manifesto é uma criação coletiva com vistas a representar o pensamento cristão brasileiro.
 Para ampla divulgação.

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